Para quem é esta página — Para quem precisa converter uma posição em opções em sensibilidade direcional local, construir um hedge ou ler um relatório de risco sem confundir delta com previsão.
O delta de uma opção mede quanto seu valor teórico varia localmente quando muda o preço do ativo-objeto, mantendo fixos os demais inputs:
Delta = ∂V / ∂SV é o valor da opção; S, o preço do ativo. Se uma long call tem delta 0,40
por unidade e o ativo sobe uma unidade monetária, a aproximação de primeira
ordem atribui cerca de +0,40 à opção, antes de gamma, volatilidade, tempo e
taxas. É uma derivada local, não regra sobre o valor final.
Sinal e escala
Em opções vanilla, do ponto de vista do titular, uma long call costuma ter delta positivo e uma long put negativo. As posições short invertem o sinal. Os intervalos usuais de 0 a 1 para call e −1 a 0 para put não devem ser estendidos sem verificação a digitais, barreiras ou payoffs descontínuos.
Um sistema pode mostrar 0,40 ou “40 delta”. Para chegar a unidades
equivalentes do ativo:
delta da posição = quantidade × multiplicador × delta unitárioDez contratos long, multiplicador 100 e delta 0,40 produzem +400 unidades equivalentes. Um nocional ajustado por delta pode exigir ainda preço do ativo e câmbio. Número unitário e nocional não devem usar o mesmo rótulo.
Sensibilidade não é probabilidade
O valor absoluto do delta é usado às vezes como aproximação da probabilidade de terminar ITM, mas não é identidade geral. Mesmo em Black–Scholes, delta de uma call e probabilidade neutra ao risco de terminar ITM usam expressões diferentes. Dividendos, taxas, estilo, smile e modelo ampliam a diferença.
Delta 0,25 responde “qual é a sensibilidade local no modelo?”. Não demonstra 25% de probabilidade objetiva, lucro esperado ou chance de sucesso. Até uma probabilidade calculada permanece condicionada às hipóteses.
Por que o delta muda
O delta varia com ativo, tempo e volatilidade. Sua derivada em relação ao ativo é o gamma. Para choque não infinitesimal:
ΔV ≈ Delta × ΔS + ½ × Gamma × (ΔS)²Um hedge pelo delta corrente perde neutralidade quando o mercado se move. Rebalancear reduz a sensibilidade no novo ponto, mas cria spread, comissão, slippage, risco de gap e base entre opção e instrumento de hedge. Mesmo com o ativo parado, tempo, IV, taxas e fluxos podem mudar o delta. Timestamp, superfície e modelo fazem parte do número.
Agregação e riscos restantes
Somar deltas exige o mesmo ativo ou mapeamento de fatores, unidades, multiplicadores, moeda, sinal, horário e fonte de modelo. Conversões entre spot, futuro e índice precisam ser documentadas.
Uma carteira delta-neutral continua exposta a gamma, vega, theta, gaps, correlação, liquidez e risco de modelo. Neutralidade local não significa ausência de perda nos cenários. Também não se deve confundir option delta com volume delta, que compara negócios no bid e ask.
Erro comum — Declarar “delta-neutral” sem ativo, multiplicador, moeda, modelo e horário. A frase não mostra o que ocorre depois de um choque nem quais riscos permanecem.
Checklist
- Qual ativo e qual preço o representam?
- O delta é unitário, por contrato ou de posição?
- Quantidade, multiplicador, moeda e sinal estão incluídos?
- Qual modelo e superfície produzem o número?
- A referência é spot, futuro ou forward?
- Como o delta muda nos choques relevantes?
- Quais gamma, vega, theta e riscos de execução restam?
Fontes
- CME Group, Options Delta — The Greeks.
- Cboe Options Institute, Learning the Greeks: An Expert's Perspective.
- Basel Committee on Banking Supervision, MAR21 — Standardised approach: sensitivities-based method — definições de sensibilidades delta por fator.
- The Options Clearing Corporation, Characteristics and Risks of Standardized Options.
- Fischer Black e Myron Scholes, The Pricing of Options and Corporate Liabilities, 1973.