Em termos simples — Um cenário conta uma história consistente e pergunta como ela atravessaria preços, liquidez, caixa e posições. Não afirma que essa história ocorrerá.
A análise de cenários converte uma narrativa em movimentos de fatores e depois em impactos sobre um perímetro. Ela evita testar choques contraditórios sem explicar seus canais de transmissão.
Como construir
Comece pela decisão que o cenário deve informar. Delimite carteira, entidades e horizonte. Escreva o evento inicial e os canais de propagação. Traduza-os em trajetórias de preços, curvas, volatilidade, spreads, câmbio, volume, margem e funding. Reavalie posições e necessidades de caixa, incluindo efeitos de segunda ordem quando forem materiais.
Exemplo didático. Uma alta brusca de juros pode ser combinada com abertura de spreads, queda de liquidez e depreciação cambial. Os sinais e magnitudes não devem ser escolhidos apenas para maximizar a perda: precisam refletir a narrativa declarada.
Comparação e controle
Cenário histórico reutiliza um episódio; cenário hipotético explora uma combinação plausível; cenário reverso parte de uma quebra. A sensibilidade muda poucos fatores e facilita atribuição, mas não representa uma trajetória completa.
O resultado deve mostrar contribuição por fator ou posição, necessidade de caixa e quais limites seriam acionados. Versões, proprietários e premissas precisam ser preservados para que o teste possa ser repetido.
Limites
Um conjunto amplo ainda não cobre todos os futuros. Dependências, preços ilíquidos e respostas comportamentais introduzem risco de modelo. Cenários não devem receber probabilidades inventadas nem ser tratados como previsão pontual.
Coerência temporal
Uma trajetória precisa distinguir choque instantâneo de evolução ao longo de dias ou meses. Taxas, câmbio, volatilidade e liquidez podem reagir em velocidades diferentes. O horizonte também determina se posições vencem, recebem margem, são roladas ou podem ser reduzidas. Ignorar essa sequência pode contar um hedge depois que ele já expirou ou supor caixa disponível cedo demais.
Compare cenário central, variações mais severas e mudanças em uma premissa por vez. Essa análise de sensibilidade mostra quais conclusões dependem de escolhas frágeis sem transformar o cenário em uma distribuição probabilística completa.
Fontes
- Basel Committee, Supervisory review process — Stress testing, RMA30.
- Basel Committee, Stress testing principles.
- Basel Committee, Supervisory and bank stress testing: range of practices.
- Federal Reserve, Policy Statement on the Scenario Design Framework for Stress Testing.