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Monte Carlo e bootstrap para estratégias de trading

Simulações e reamostragens para estudar incerteza, ordem dos retornos e drawdown sob premissas declaradas, sem criar informação ausente dos dados.

Em palavras simples — Esses métodos constroem trajetórias alternativas a partir de dados ou de um modelo. Eles mostram como ordem e acaso podem alterar o caminho, mas suas respostas valem somente sob as premissas usadas.

Monte Carlo é uma família de simulações aleatórias. Bootstrap reamostra observações da amostra para aproximar a incerteza sem impor necessariamente uma distribuição paramétrica completa. Em estratégias de trading, ambos podem estudar métricas, sequência de resultados e drawdown, mas não adicionam regimes, caudas ou custos que não estejam representados.

Monte Carlo e bootstrap de trajetóriasMétodos diferentes preservam ou impõem estruturas diferentes. Trajetórias sintéticas com seed fixa; quantis condicionados ao modelo, não forecast nem worst case.Monte Carlo e bootstrap de trajetóriasMétodos diferentes preservam ou impõem estruturas diferentesTrajetórias sintéticas com seed fixa; quantis condicionados ao modelo, não forecast nem worst case.Dispersão das trajetóriassequência / tempo →valor da trajetória1Bootstrap IID2Moving block3Stationary bootstrap4Simulação paramétrica5LimitesCyclepedia · esquema educacional condicionado, não previsão nem promessa
Trajetórias sintéticas são condicionadas ao gerador escolhido; seus quantis não são previsões nem worst cases universais.

Métodos diferentes, perguntas diferentes

Método O que preserva Hipótese material
Bootstrap IID distribuição empírica das observações individuais observações intercambiáveis e independentes
Moving block bootstrap blocos contíguos de comprimento fixo dependência local capturada pelo bloco
Stationary bootstrap blocos de comprimento aleatório estacionariedade e comprimento médio adequado
Simulação paramétrica estrutura imposta pelo modelo estimado distribuição e dinâmica especificadas
Reordenação de trades conjunto de resultados por trade composição fixa e ordem intercambiável

Escolher o método depois de observar qual produz menor risco é outra forma de seleção. A escolha deve refletir a dependência e a pergunta.


O que está sendo reamostrado?

Podem ser reamostrados retornos de mercado, resíduos, previsões, trades, blocos temporais ou parâmetros. Cada unidade muda a interpretação. Reamostrar trades já concluídos preserva custos observados, mas pode quebrar exposição simultânea e estado da carteira. Reamostrar retornos do ativo exige executar de novo a estratégia para preservar a regra.

O universo e os pesos também importam. Sortear séries isoladamente pode remover correlação cross-sectional; sortear datas conjuntas preserva parte dessa dependência.


Ordem, compounding e drawdown

Se os retornos são compostos, a ordem pode não alterar o valor final quando o conjunto é idêntico, mas altera picos, vales, margem, risco de ruína, limites e eventuais regras path-dependent. Uma estratégia que reduz risco após drawdown não pode simplesmente reordenar trades e manter a mesma trajetória de sizing.

Drawdown simulado depende de horizonte, capital, alavancagem e política. Um percentil da simulação não é perda máxima possível; apenas resume os caminhos gerados pelo modelo.


Block bootstrap e dependência

Blocos procuram manter autocorrelação e clusters locais. Blocos curtos se aproximam do IID e quebram dependência; blocos longos preservam mais estrutura, mas oferecem menos recombinações. O comprimento é um parâmetro material e deve ser testado, não escondido.

Dependência que muda entre regimes pode não ser capturada por bloco fixo. Estratificar por regime pode ser útil, desde que o regime seja definido sem olhar o resultado e que a simulação não invente transições impossíveis.


Simulação paramétrica e cenários

Um modelo paramétrico pode representar volatilidade, correlação, saltos ou processos de estado, mas seus resultados herdam a especificação e a estimação. Stress scenarios não precisam ser prováveis sob o modelo: podem impor choques economicamente relevantes. Monte Carlo estima distribuição condicionada; stress explora vulnerabilidades. São complementares.


Exemplo ilustrativo

Uma série de retornos apresenta clusters. O bootstrap IID produz caminhos muito suaves; moving block com vários comprimentos preserva sequências e amplia a dispersão dos drawdowns. Um modelo paramétrico gera resultado diferente porque impõe outra dinâmica. A comparação não revela o “verdadeiro” drawdown; mostra quanto a conclusão depende da estrutura assumida.


Protocolo reproduzível

  1. Definir objeto, unidade e pergunta.
  2. Diagnosticar dependência temporal e cross-sectional.
  3. Escolher método e parâmetros antes dos resultados.
  4. Preservar custos, sizing e regras path-dependent.
  5. Fixar e registrar seed, código, dados e número de simulações.
  6. Reportar distribuição, quantis e erro Monte Carlo, não só um cenário.
  7. Comparar métodos plausíveis e stress externos.
  8. Declarar estruturas e riscos não representados.

Sistemas com estado e erro da simulação

Em uma estratégia, negócios não são sempre peças intercambiáveis. Tamanho da posição pode depender do patrimônio, perdas podem acionar limites e sinais de vários ativos podem competir pelo mesmo capital. Reamostrar retornos isolados ignorando esse estado produz trajetórias incompatíveis com a regra. Quando o mecanismo é relevante, a simulação deve reaplicar sizing, limites, custos e restrições a cada caminho.

Blocos preservam parte da dependência temporal, mas o tamanho do bloco é uma hipótese. Blocos curtos quebram regimes e posições; blocos longos deixam poucas combinações. Convém mostrar sensibilidade a escolhas plausíveis e explicar o que cada esquema conserva. Bootstrap não cria crises, ativos ou regimes que nunca apareceram na amostra.

Percentis também têm erro de Monte Carlo. A cauda estimada com poucas simulações pode mudar apenas pela semente. Repetir com sementes, aumentar o número de caminhos e acompanhar a estabilidade dos percentis permite separar instabilidade numérica de incerteza econômica. A saída correta é uma distribuição condicionada ao modelo, não uma probabilidade objetiva do futuro.

O protocolo e a semente devem permanecer registrados para reprodução.

Fontes

Conexões